top of page

Habilidades socioemocionais: aprendizado que nasce nos vínculos

  • nataliajscosta
  • 22 de abr. de 2025
  • 12 min de leitura

Atualizado: 5 de jul. de 2025

Imagem gerada pelo ChatGPT
Imagem gerada pelo ChatGPT

Nos posts "Habilidades" e "Competências", descrevi como as habilidades funcionam como base para exercer uma competência. Dentro das competências comportamentais, temos as habilidades socioemocionais como uma parte importante da base. Podemos encontrar textos que tratam as habilidades socioemocionais como competências socioemocionais, mas a ideia é a mesma: habilidades ou competências socioemocionais são boa parte da base para competências comportamentais.

As habilidades socioemocionais mais discutidas atualmente são:

  • Empatia

  • Autoconhecimento

  • Autocontrole emocional

  • Cooperação

  • Responsabilidade

  • Persistência

  • Resiliência

  • Consciência social

  • Respeito

  • Autoconfiança

  • Assertividade

  • Automotivação

  • Curiosidade em aprender

  • Tolerância à frustração


Essas habilidades atuam nas competências comportamentais como por exemplo:


  • Resolução de conflitos e problemas

  • Liderança

  • Comunicação assertiva não violenta

  • Trabalho em equipe

  • Adaptabilidade

  • Relacionamento interpessoal

  • Relacionamento intercultural


Ao longo da minha vida, eu tive muitas pessoas e situações que me traziam sinais positivos sobre minhas habilidades socioemocionais. Minhas amizades mais antigas nunca entendiam o fato de eu ter me formado em uma área de exatas. Tive uma professora de francês que tentou me convencer a ser diplomata. Ela dava aula em uma escola de diplomatas e enfatizava sempre que eu tinha o perfil para lidar com pessoas, além de observar minha dedicação e esforço nos meus objetivos. Sempre tive inúmeras situações em que pessoas do nada, que nem eram tão próximas, começavam a conversar comigo e falar de assuntos pessoais, conflitos, como um desabafo. Eu nunca entendi muito bem isso, para ser sincera. E nem sabia que a minha forma de ser era por eu possuir habilidades socioemocionais. Estou contando para vocês isso, não para me autopromover. Mesmo porque eu sempre me sinto desconfortável com elogios.

Antigamente, eu ficava sem jeito e pedia para as pessoas pararem de me elogiar, porque não me sentia bem. Eu comecei a aceitar elogios depois de muito a minha avó falar que era feio não aceitar elogios e que eu deveria me valorizar. Eu aprendi de fato a aceitar, externamente, mas internamente ainda me incomoda.

Na verdade, tenho muito a me desenvolver ainda, e por conhecer meus problemas é que talvez tenha dificuldade em entender o elogio de forma positiva. Preciso melhorar muito, principalmente como mãe. Talvez eu seja muito autoexigente, pode ser. Mas alguém te elogiar por respeitar as pessoas não seria um pouco demais? Todos não deveriam respeitar os outros?

Bom, estou há um ano, mais ou menos, analisando meu comportamento nesse processo de transição de carreira em que me encontro. Tenho muita facilidade em exatas, com bom raciocínio lógico e pensamento científico. Acho química uma ciência mágica e vejo na matemática uma linguagem que descreve o mundo. Minha escolha profissional foi movida pela curiosidade científica. Quem eu sou, meu eu interior, é cheio de si, preza a busca pelo bem, preza autenticidade, tem uma curiosidade enorme, principalmente por pessoas, adora boas conversas profundas e com significado. Meu eu interior entende a finitude da vida e vê valor nos relacionamentos humanos do dia a dia. Meu eu interior também é muito teimoso, e às vezes provocativo, e costuma ficar bem estressado com injustiças, de acordo com minhas perspectivas.

Eu confesso que tinha um mindset um pouco fixo quando comecei a me interessar pelo tema de liderança e habilidades socioemocionais. Achava que essas habilidades eram naturais porque envolviam grande parte do nosso eu interior e que era muito complicado ensinar algo tão profundo em cursos. E achava também que as pessoas que desenvolviam essas habilidades era porque tinham experiências que as favoreciam ao longo da vida. Mas depois de muita leitura e prática, eu mudei minha forma de pensar. Comecei a me utilizar como objeto de estudo científico. Uma vez que eu possuo essas habilidades, queria entender o que me levou a ser assim.

Cheguei à conclusão de que os exemplos e relacionamentos humanos têm o maior peso nas minhas habilidades. As experiências estão sempre relacionadas com outras pessoas envolvidas, logo não foi a experiência em si que teve maior peso, mas as pessoas envolvidas na experiência. Fiquei em choque também quando cheguei nessa conclusão. No entanto, gostaria de enfatizar que essa conclusão é minha, parte do meu autoconhecimento e pode não ser a mesma para você. Vou te explicar porquê, mas primeiro vamos definir melhor os papéis.

Entenda experiências como situações que acontecem na vida, como morar um tempo no exterior, a morte de um ente querido, viagens de férias, período sabático, mudanças de casa, de cidade, mudança de trabalho e de cargos, casamento, nascimento de filhos, doenças, etc.

Considere exemplos como aquelas pessoas que você observou, mesmo sem se relacionar diretamente com elas, mas acompanhou uma história e, como resultado, gerou admiração ou então aprendeu como não deveria ser.

Entenda relacionamentos humanos como as pessoas com quem você interagiu com troca de profundidade de pensamentos e sentimentos e, com base na sua perspectiva, ensinaram como ser ou não ser.

Bem, eu observei as experiências que tive na vida, e a forma como reagi a elas e lidei com meus sentimentos, veio do conhecimento que tinha adquirido até aquele momento com base no observação e interação com outras pessoas, e julgando, de acordo com minha perspectiva, o que seria certo. Não foi a experiência que me ensinou a reagir. Foram as pessoas que eu observei e eu me relacionei que me ensinaram como reagir às experiências. E a resposta das pessoas envolvidas nas experiências também me ensinaram para experiências futuras e assim sucessivamente.

Entendo que pode parecer confuso. Afinal, podemos ter uma experiência ruim e carregar isso para a vida, afetando nosso comportamento. Existem traumas que podem ser tão agressivos, que ferem a integridade e deixam marcas profundas que precisam ser tratadas por um profissional. Isso, claro, quando o trauma não está ligado a uma condição de saúde mais grave. Nesses casos, a experiência pode ter um impacto grande. Mas, se você se conecta com pessoas que passam por algo semelhante e se abre, conversa e vê que existem outras perspectivas daquele trauma, não há mais força para superá-lo? No fundo, o poder da interação com as pessoas não traz uma certa resiliência e persistência?

Cada experiência é um contexto, e dificilmente se repete igualzinho. No momento da experiência, é com você mesmo que está conversando, sentindo e procurando a melhor solução. Não tem como você saber se teria sido melhor ou pior reagir de forma diferente em uma situação. Principalmente, porque muitas vezes o resultado de uma experiência também depende da ação de outra pessoa. Mas você pode recorrer ao seu repertório de informações, por exemplo se você presenciou alguém que conversa com o filho e chama atenção de forma assertiva e não violenta, e a criança responde bem, seu cérebro entende que aquele pode ser um caminho quando tiver em uma situação parecida. O velho provérbio: "Diga-me com quem andas e te direi quem és!"

A partir dessa minha forma de compreensão, pude entender que sim, as habilidades socioemocionais podem ser aprendidas em qualquer idade e momento, porque na verdade elas são processadas a vida inteira por meio de relacionamentos interpessoais. É como se fosse um intensivão de lifelong learning. Isso porque a gente está a todo momento processando e filtrando o que aprendeu com o outro, tanto a parte lógica quanto a sentimental, para tomar a decisão de como agir no momento.

Por isso, é fácil perder habilidades socioemocionais se a gente não as alimenta. É fácil cair na rotina do estresse, do prazo de entrega curto, das telas, da necessidade de provar que é capaz, dos afazeres e administração da casa, e deixar para segundo plano interagir com os outros. E quando digo interagir com os outros, não é conversar pelo WhatsApp, ou ver como anda a vida da pessoa pelo Instagram, Facebook e LinkedIn. É estar presencialmente entre pessoas, escutar ativamente e empaticamente suas histórias nos detalhes, observando suas expressões, tomando um belo de um café. É observar momentos de discordância na família, mesmo que não façamos parte do conflito, onde consigamos analisar os dois lados da situação. É estar disposto a conversar sobre assuntos polêmicos e difíceis, estando preparados para poder mudar de ideia.

Para mim, a base do desenvolvimento das habilidades socioemocionais está no conhecimento da moral e na curiosidade de conhecer outro ser humano e a si mesmo. Portanto, para ensinar as habilidades socioemocionais, explique a moral e promova a curiosidade em um contexto em que as pessoas possam interagir entre si e se sintam livres para ser quem são, sem julgamentos.


Ainda existe um eu


Mesmo que aprendamos com os outros, ainda existe o fator eu que escolhe como filtrar as informações que recebe e tirar o aprendizado das observações. Essa essência é um ponto-chave que pode facilitar ou dificultar a aprendizagem socioemocional. Acho que a melhor forma de ter essa essência a seu favor é treiná-la para ser questionadora. Seu eu tem que te fazer mais perguntas do que falar o que você deve fazer. Ele tem que te estimular a refletir.

Muitas habilidades socioemocionais estão relacionadas à capacidade de reflexão, e não se reflete sem perguntas. Cada um precisa chegar sozinho, por meio de suas perguntas internas (seja pela voz interior, por introspecção, meditação ou conexões com sensações físicas), à conclusão do axioma*.

Dentro da educação, existem algumas ferramentas e metodologias que ajudam a desenvolver esse "eu questionador" nos alunos — o famoso pensamento crítico. Só precisamos ter cuidado para que esse "eu crítico" não seja expressado de forma descontrolada, e você acabe se tornando uma pessoa que critica tudo e a todos em todas as conversas. Deixe esse "eu questionador" no seu interior e permita que ele apareça para os outros apenas em momentos em que ele seja realmente necessário, como em um debate de um projeto ou em uma conversa com o intuito reflexivo, por exemplo.

   * O que é considerado intuitivamente óbvio em matemática.


Habilidades socioemocionais e educação


Quando eu exercia minha profissão na indústria, eu gostava muito da parte técnica que fazia; era animada, motivada e interessada em ir além. Eu nunca pensei nas minhas habilidades socioemocionais como algo profissional. Eu sempre as encarei como parte de mim, da minha identidade no mundo, e nunca imaginei que eu poderia ajudar pessoas com elas profissionalmente. Às vezes, até me controlava um pouco para não ser vista como uma criança romântica.

Quando me tornei professora, percebi que ali se exigia muito mais de quem eu sou do que o que eu sabia tecnicamente. Não se trata apenas de ensinar o aluno a fazer uma análise de dados, mas também de trazer um pouco de mim para que eles possam trabalhar melhor em equipe, entender que há alguém que dá valor neles e quer ouvir o que têm a dizer. Que possam se conhecer melhor e saber que sentimentos não são bobagem.

Por eu ter me formado em uma área de exatas, me vejo como um exemplo de que não podemos nos estigmatizar pelas profissões como "pessoa de exatas e biológicas" ou "de humanas". Sempre existiu essa classificação profissional, onde pessoas de exatas e biológicas são vistas como voltadas para a razão, com pensamento científico e interesse pelos fenômenos da natureza e da vida, enquanto pessoas de humanas são vistas como voltadas para a sensibilidade e emoção, com boa comunicação e interesse pelo comportamento humano. Essa rotulação é prejudicial e afeta os sistemas de ensino que temos.

Por que uma pessoa que escolhe atuar profissionalmente na área de humanas não deve ter seu pensamento lógico estimulado? Por que uma pessoa que escolhe atuar profissionalmente na área de exatas não pode ter sua sensibilidade artística estimulada?

Alguns possuem hobbies que ajudam a complementar o que a profissão escolhida não traz. No entanto, os hobbies ficam à mercê do tempo livre, que, diga-se de passagem, é bem restrito.

Desde o ensino médio, já se tem uma divisão das pessoas pelas habilidades de maior inclinação, para estudo para o vestibular, por exemplo. Existe orientação psicológica e vocacional. Existe uma orientação no plano de vida e carreira. Mas como disciplinas separadas. Eu não enxergo separação entre ciência e arte. Não há resolução de problemas sem pensamento analítico e sensibilidade. Eu acredito que, com criatividade, podemos trazer arte e discussão do comportamento humano para dentro do contexto de uma aula de química na graduação, por exemplo. A interdisciplinaridade é sempre importante.

Quando estamos na graduação em um curso que escolhemos, estamos em nossa zona de conforto, mesmo que algumas disciplinas não nos agradem. O problema é que ninguém cresce na zona de conforto.

No contexto universitário, temos um grande aliado no aprendizado de habilidades socioemocionais: a Extensão. Em 2014, o Plano Nacional de Educação, pela LEI nº 13.005/2014 (Meta 7, item 12.7), estabeleceu que o Ensino Superior deve assegurar, no mínimo, 10% do total de créditos curriculares em programas e projetos de Extensão. A Extensão é uma colaboração com papel ativo do aluno, da universidade e da sociedade. É uma forma de disseminar o conhecimento gerado na Universidade e transformá-lo em inovação tecnológica e social.

Os projetos de extensão exigem interdisciplinaridade, competências técnicas, competências socioemocionais e trabalho em equipe. Pode ser impressão minha, mas vejo que, no Brasil e no mundo, ainda existem poucos lugares que entendem o potencial da Extensão. Acredito que, enquanto nas universidades a extensão for tratada por área, não alcançaremos o potencial que ela tem. No meu ponto de vista, a Extensão deveria ser vista como um núcleo dentro da Universidade que agrega todas as áreas, e os projetos deveriam ser gerados da interação desse núcleo com a sociedade.

Por exemplo, a divulgação científica do que é feito na universidade para a sociedade é considerada uma ação de extensão. A informação deve ser transmitida de forma clara e simplificada para que possa atingir a maior variedade de público da sociedade. Imaginemos que precisamos passar um conteúdo de inovação em química feito na universidade para a sociedade. Me pergunto: por que isso tem que ser feito pelos alunos de química somente? Isso deveria ser feito por uma equipe de alunos interdisciplinares que engloba alunos de química, comunicação, design gráfico, educador, produtor de mídia e estrategista digital. Afinal, não é assim que é feito no mercado de trabalho? Diferentes áreas trabalhando juntas? O resultado da entrega e o impacto social de um projeto de extensão é muito melhor quando este é organizado de forma interdisciplinar.

Além disso, o aluno da área de química também pode se interessar em projetos de outras áreas, não diretamente correlacionada com sua formação. Para muitos projetos é importante ter pessoas com olhares diferentes, independente de sua área de formação.

Agora, imagine o potencial de desenvolvimento e manutenção das habilidades socioemocionais nos trabalhos de extensão!


Habilidades socioemocionais e voluntariado


Muitas vezes adquirimos conhecimentos e habilidades, mas não temos chance de aplicar e desenvolver nossas competências por falta de oportunidade no mercado de trabalho, que muitas vezes já exige alguém pronto para o cargo. Procurar um trabalho voluntário para desenvolver nossas competências e provar que somos capazes é um caminho. Não há nada de errado, a meu ver, em assumir que você fez o trabalho voluntário para desenvolver a competência e colocar isso no currículo.

No entanto, quando um trabalho voluntário é movido por empatia e compaixão, uma necessidade intrínseca em participar da corrente do bem, ele não tem nada a ver com profissão, com religião, talvez. Esse tipo de trabalho não precisa de currículo. Ele pode ser um mutirão para ajudar a consertar a casa de um parente, organizar uma festa para arrecadar alimentos para doação, contribuir com os estudos de alguém de baixa renda, ou simplesmente ajudar alguém sem computador a preparar um currículo.

Os dois tipos de voluntariado têm seu valor nas habilidades socioemocionais. O primeiro te ajuda a desenvolver a competência, o segundo acaba sendo uma ação da competência que você já tem. No caso do segundo, ele não precisa ser dito, ele não precisa ser documentado. O trabalho voluntário por empatia e compaixão, se for verdadeiro, não é vaidoso nem componente curricular. É importante não confundir os dois.

Reflexão final


Após escrever esse texto até aqui, o considerei simplista demais, comparado ao turbilhão de informações que tenho no meu interior. Parece que ainda falta mais a dizer, mais a refletir. E certamente tem mais.

Tem uma música que cantava na minha infância, em uma escola Montessoriana em que estudei, do músico, compositor e facilitador em expressão musical e criatividade, Valter Pini:


“Te ofereço paz

Te ofereço amor

Te ofereço amizade

Ouço tuas necessidades

Vejo a tua beleza, sinto os teus sentimentos

Minha sabedoria flui de uma fonte superior

E reconheço essa fonte em ti

Trabalhemos juntos

Trabalhemos juntos”


Vendo minhas filhas se desenvolverem, o quanto a inocência facilita o desenvolvimento da empatia, respeito ao próximo, o trabalho em equipe, a consciência social e a importância do respeito às regras sociais, lembro da minha infância e de como os eventos da vida podem te afastar do que você aprendeu quando era pequeno. Por isso, é importante nunca deixar de se preocupar em desenvolver essas habilidades. As novas gerações, graças às exigências do Plano Nacional de Educação, estão sendo mais fortalecidas nessas habilidades socioemocionais desde a infância, e têm um potencial enorme de se tornarem uma força revolucionária no desenvolvimento da sociedade. Na verdade, já estão se tornando, uma vez que já estão mais conscientes de si e exigem mudanças de comportamentos corporativos.

Essa exigência agora de líderes mais humanos não é só por conta de uma alta produtividade pelo fortalecimento do trabalho em equipe e cuidado com a saúde mental. É também por conta de pessoas mais autoconscientes entrando no mercado de trabalho e questionando a falta dessas habilidades socioemocionais onde trabalham. Precisamos cuidar para que elas não percam esse aprendizado. Precisamos que todos tenham consciência de que o desenvolvimento dessas habilidades é contínuo, que de tão contínuo, se torna natural. Não é para ser considerado uma cobrança, um peso de mais uma competência profissional para desenvolver, ou uma forma de controlar comportamentos. Cuidar dessas habilidades é qualidade de vida para nós e para as pessoas que nos rodeiam. Dá sentido à nossa existência e nos tira do automático ao qual fomos imersos.

Certamente esse assunto não acaba por aqui, ainda teremos muito mais para refletir.

Conte-me como você vê seu aprendizado de habilidades socioemocionais?


Referencias

[1] BRASIL. LEI Nº 13.005, de 25 de Junho de 2014. Diário Oficial da União, Brasília,DF - Seção 1 - Edição Extra - 26/6/2014.

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


bottom of page